Cadastros na manutenção e sua relação com a gestão – Tipos de Ordem de Serviço

Hoje começamos uma série de postagens sobre os cadastros na manutenção. O primeiro tema são os tipos de ordem de Serviço.

Há muitos artigos e postagens sobre este tema. Porém, vejo que a maior parte deixa a desejar pela falta de relacionamento com a estratégia de gestão. Responder a perguntas como: por que devo fazer isso? Como devo utilizar no meu planejamento estas informações?
Começando pelo cadastro que julgo ser o mais básico, os tipos de OS. Para elaborar este texto, me baseei na NBR 5462 que contém a descrição dos tipos básicos.

Manutenção Corretiva
A mais conhecida todas. Trata-se da manutenção efetuada após a ocorrência de uma falha com o objetivo de retomar a operação normal do equipamento. É comum desdobrarmos corretiva não programada e corretiva programada.
Sobre o viés da gestão, devemos encarar a corretiva como algo a minimizar. Devemos considerar também que há um limite onde os custo de prevenir a ocorrência de falhas é mais alto que o impacto gerado por ela. Isto varia de empresa para empresa. Mas no geral, a correção é algo ser evitado em virtude do custo e impacto da parada, na visão negativa gerada em relação a atuação da manutenção e da falta de previsibilidade. Este último fator é um dos que mais impactam.

O gráfico nos mostra que o custo e o tempo gasto para executar a manutenção preventiva são altos. Isto se deve ao fato de não conseguirmos planejar sua execução e o impacto da parada na produção ser alto.

Manutenção preventiva
É o tipo de manutenção executado para prevenir a ocorrência de manutenções corretivas. Executado em intervalos pré definidos de tempo (calendário) ou de uso (quilometragem, horas, produção). Além da prevenção da probabilidade de falha, tem por objetivo também a prevenção da degradação do bem.
Neste caso o gestor sai dos campo da probabilidade, como na corretiva, e entra no planejamento. Sabe-se previamente o esforço e os materiais a serem empregados. Podendo então serem feitos o planejamento da mão de obra necessária, a compra dos materiais e dos demais recursos.
Este tipo de manutenção também permite fazer o que chamo de “brincadeira da gestão”. Avaliar os planos, verificar como podem ser feitas as manutenções rapidamente, que entreguem um resultado mais efetivo, o impacto destas mudanças dos números de ocorrências de manutenções corretivas, dentre outras ações.

Na preventiva temos um meio termo entre o custo, o tempo necessário e o investimento. O custo para mantermos o plano é relativamente alto. Temos que investir na equipe especializada, nos materiais de reposição e na estruturação da manutenção. O tempo é médio, menor que o da corretiva, pois executamos conforme um planejamento.

Manutenção Preditiva
É a aplicação sistemática de técnicas de análise com o objetivo de diminuir a necessidade de manutenções preventivas e corretivas. As técnicas mais comuns são a inspeção com uso de câmera termográfica, análise de vibração e análise de óleo.
Ou seja, temos o objetivo de predizer o estado do equipamento e realizar as manutenções de acordo com os resultados.
O gestor deve encarar este tipo de ordem de serviço sobre o mesmo viés que a manutenção preventiva tem em relação a corretiva. Uma forma de diminuir a ocorrência dos outros tipos de manutenção.

Por fim a preditiva, que apresenta um custo e tempo baixos, porém com alto investimento. É necessário adquirir os equipamentos para análise ou terceirizar o serviço e treinar a equipe para execução das tarefas. O investimento por vezes é tão alto que as empresas optam por manter o plano preventivo ao invés de implantar um processo preditivo.

Estes são os principais tipos de manutenção. Eles são a base da padronização das informações na manutenção. Conhecendo as características de cada um, você será capaz de dimensionar os recursos disponíveis e alinhar com a diretoria da empresa qual a melhor estratégia a ser seguida.

Gostou? Comente e compartilhe e nos ajude a impactar positivamente o ecossistema de manutenção.

Grande abraço.

Fontes:
NBR 5462, disponível em www.abnt.org.br (pago), acessado em 11 de março de 2019
Tipos de Manutenção de acordo com a NBR 5462, disponível em engeteles.com.br, acessado em 11 de março de 2019

Como estão seus indicadores de gestão de manutenção?

Estou avaliando os indicadores corretos? Possuo os indicadores mais relevantes?

Nas conversas com gestores, não só da área de manutenção, os indicadores de gestão são sempre algo que vem a tona. Isto se deve ao fato de que uma gestão de excelência dentro dos modelos atuais, invariavelmente passa pelos indicadores.

Hoje vou descrever 8 indicadores que julgo essencial para todos os gestores de manutenção. Verifique se você possui algum destes indicadores e se é relevante para sua operação.

Cumprimento da programação semanal

Este indicador que normalmente é mostrado em formato de gráfico de barra ou linha, traz semanalmente quantas ordens e horas devem ser cumpridas para atender a demanda mensal.

Sua análise é simples, se o que foi cumprido está abaixo da meta, terei que atender mais ordens no próximo mês. Se está acima, atendi mais ordens diminuindo a quantidade pendente.

Serve de base para verificar a tendência do atendimento e permitir a tomada de decisão diante de uma demanda maior do que sua capacidade ter permite.

Backlog

Trata-se da quantidade histórica de ordens pendentes. Pode ser representado por um gráfico de barras ou linhas. Afetado diretamente pelo indicador anterior. Caso eu não consiga cumprimir o previsto no mês, meu backlog irá aumentar.

Vai permitir verificar a tendência da quantidade de ordens pendentes e novamente se minha capacidade de atender a demanda está equilibrada, diminuindo ou aumentando.

MTTR – Mean Time to Repair

Tempo médio para efetuar um reparo. Este indicador é focado em manutenibilidade. Manutenibilidade é a facilidade ou dificuldade de se fazer uma manutenção e colocar o equipamento para rodar. O indicador é baseado na seguinte analogia: em média, quanto tempo demoro para colocar um equipamento para funcionar.
Ele vai permitir você programar o tempo necessário para atender os problemas durante o mês. Verificando o histórico de ordens, basta multiplicá-lo pela média de ordens corretivas e chamado que teremos estatisticamente quanto tempo você deve prever para atender incidentes.


MTBF – Mean Time Between Failures

“Irmão” do MTTR, expresso em horas, trata-se do tempo médio em que ocorreu uma falha. É focado em demonstrar a confiabilidade provida pelo equipamento e pela manutenção preventiva efetuada. Quanto mais tempo, melhor.

Disponibilidade

Se você não tiver nenhum indicador, comece por aqui. A disponibilidade é normalmente expressa em percentual. Trata-se do quanto você entregou os equipamentos em funcionamento para serem utilizados.

Sem sombra de dúvida é um dos principais focos da manutenção. Todo o trabalho e estruturação de manutenções planejadas são para elevar este indicador.

Em um mundo perfeito, esta disponibilidade seria 100%. Como sabemos que não há como eliminar totalmente o risco da falha, trabalha-se para aumentar o máximo a disponibilidade.

Previsto x Realizado por técnico

Normalmente pensa-se que este indicador mede a ocupação e ociosidade dos técnicos. Eu recomendo interpretá-lo de outra forma. Medir o preenchimento das ordens pelos técnicos.

Pela minha experiência, quando os técnicos são cobrados do preenchimento das ordens, eles o farão. E uma ótima forma de fazer isto é comparando o que o técnico possui como disponível (horas registradas no seu ponto) com o que preencheu nas ordens.

Recomendo que este indicador esteja girando em torno de 95%, para os casos em que todas as atividades são medidas.

Resumo do atendimento

Trata-se da quantidade histórica de ordens e horas. Ele vai te dar uma visão de como estão seus números de ordens em geral e te permitirá responder isto na ponta da língua quando questionado.



Tipos de atendimento

Este indicador mede a quantidade de ordens e horas alocadas nos tipos de ordem de serviço. Ele te permite ver como está seu histórico, traçar tendência e planejar o futuro. Com ele você responderá a perguntas como: quanto tempo preciso dedicar para correções e chamados? Quanto para atender meu planejamento? Quando para instalação?

Estes são os indicadores que julgo essenciais para a gestão de manutenção. Eles vão te permitir realmente ser o piloto, prevendo necessidade de alterações, resultado de ações de melhoria, problemas com relação a operação e demais desafios cotidianos do gestor de manutenção.

Espero que tenha gostado deste conteúdo e que de alguma forma tenha contribuído com você. Se gostou (ou não) deixe um comentário abaixo para enriquecermos este assunto.

Se existir alguém que você conhece que tem interesse em assuntos como este, marque-o aqui ou me indique para que eu também possa enviar para esta pessoa os nossos conteúdos.

Grande abraço.

Como está seu conhecimento na área de manutenção?

Você acredita que conhecimento é essencial para seu desenvolvimento como profissional da área de manutenção?

Se a resposta para esta pergunta for sim, continue lendo.

No ano de 2018 aconteceram muitas coisas. Uma delas foi o espantoso crescimento na minha “caixa de ferramentas pessoal”, o meu conhecimento. Boa parte desta evolução não se deu pelos métodos convencionais e sim, pela procura por conteúdos específicos na internet.

Felizmente vemos uma curva exponencial de criação de conteúdo, sendo uma das melhores práticas de geração de valor mesmo para aqueles que ainda não tem contato direto com o autor.

Claro que todo este conteúdo tem por objetivo também difundir o trabalho dos seus autores. Normalmente pede-se um cadastro para ter acesso. Isto para mim não é problema e acredito que para você também não. Afinal, o mundo hoje é das parcerias.

Por este motivo, resolvi indicar 3 criadores de conteúdo para a área de manutenção que acredito que possam contribuir para melhorar os seus resultados.

  1. Genêsis Assessoria Empresarial – Para quem me conhece, sabe que tenho uma parceria forte com o pessoal da Genêsis. Eles prestam consultoria na área de manutenção e também são criadores de conteúdo. Por meio do seu Blog, Linkedin e Facebook eles divulgam vários materiais gratuitamente. Em junho do ano passado lançaram também um e-book sobre Gestão da Manutenção alinhada a Gestão de Ativos.
  2. Manutenção em Ação – Este é mais recente. Encontrei procurando conteúdo de manutenção no Linkedin. Também divulgam conteúdo pelo seu site, Linkedin e Facebook. Na semana que vem estarão organizando um evento chamado “Semana da Manutenção em Ação” que tem por objetivo instruir os participantes a diminuírem as ocorrências de manutenções corretivas. Esta semana se inicia no dia 27/01/2019.
  3. Manutenção em Foco – Também seguem a linha dos outros dois, produzindo conteúdo e postando em site, Linkedin e Facebook.

Todos produzem ótimos conteúdos e conseguem agregar valor para aqueles que os procuram.

Um grande abraço e até a próxima.